sábado, 2 de julho de 2011

La Boca e San Telmo

La Boca e San Telmo



A capital federal da Argentina tem dois bairros tão característicos que é impossível não se deixar transformar pela atmosfera: o La Boca, conhecido pelas suas paredes multicoloridas e o outro é San Telmo, reduto de boemia, tango e antiguidades. Começarei pelo passional La Boca, com suas formas e cores, construções típicas e com o espírito de um antigo cais de porto e seus trabalhadores de outrora.

Para a maior parte dos turistas o La Boca tem dois grandes atrativos: O El Caminito, que é de uma energia marcante e distintiva pelas cores e o estádio La Bombonera do conhecido clube de futebol Boca Juniors. Este último optei por não visitar, uma vez que, para quem não é fã de futebol, visitar um estádio e um museu do time não parecia fazer muito sentido.


Quando cheguei ao bairro não eram dez da manhã ainda. Encontrei o El Caminito vazio, sem qualquer vestígio das dezenas de barracas que o ocupam ao longo do dia. A tradicional casa de chocolates e alfajores, Havana, estava igualmente vazia. O bairro acordava tranquilamente. Foi uma grande surpresa encontrar um La Boca diferente daquele tradicional burburinho que eu imaginava.

Após uma caminhada pelas paredes coloridas, registradas com minha câmera fotográfica, resolvi visitar o museu de Quinquiela Martín. Eu não conhecia o pintor, mas descobri que foi ele um dos grandes responsáveis por registrar o bairro e as imagens portuárias da capital. A casa é bem simples, assim como toda a estrutura do museu. Os pintores do acervo são nomes argentinos que tiveram algum reconhecimento dentro do contexto artístico do país, ou foram seguidores de Quinquela.

A visitação se mostra única por dois motivos: os quadros do próprio Quinquela, que tem em si um movimento e uma vivacidade incríveis. Parecem seguir o fluxo das águas do porto e transparecem toda o sentimento de uma forte paixão, frequentemente encontrado nos becos do La Boca, seja nos dançarinos de tango, nos fanáticos torcedores do clube ou nos simples artesãos que exibem suas obras na feirinha.  O outro motivo que torna obrigatória a visitação é válido mesmo para quem não é apreciador de arte. É que a casa possui um terraço com uma vista maravilhosa que engloba o porto e de todo o bairro. Eu diria, sem dúvida, que é uma das mais belas vistas que vi em Buenos Aires e, com certeza, a de maior altura.


Terminada a visitação no museu, segui pela feirinha d’ El Caminito. Sem dúvida foi a feirinha pela qual eu mais me apaixonei. Encontrei um artesanato singelo, mas cheio de vida. Pessoas talentosas, simpáticas e que conseguem passar com seu trabalho o espírito desse canto tão característico e passional da capital argentina. La Boca é puro sentimento, é um órgão pulsante dentro da tão diversa Buenos Aires.

Continuando no ritmo de feirinhas espalhadas pela cidade é impossível não se lembrar de San Telmo.  Um dos bairros mais tradicionais e antigos da capital portenha que abriga duas feirinhas: a de antiguidades que acontece todos os dias na Plaza Dorrego e o Mercado das Pulgas, que ocupa a praça aos domingos.  Para os fãs de mercado o bairro conta com um, onde o que não falta é variedade.






San Telmo é o bairro da boemia de Buenos Aires, repleto de bares, cafés e restaurantes simpáticos que dividem espaços com holstels, lojas alternativas, antiquários, lojas de decoração. Em San Telmo se reúnem várias tribos. É sem dúvida, um dos bairros mais charmosos da cidade, em parte, devido às construções antigas, em outra devido ao ritmo de seus moradores e turistas. Respira-se um ar diferente por ali. Uma das cenas mais belas que presenciei em Bs As foi o princípio da noite de domingo em San Telmo. Na Plaza Dorrego armou-se uma pista de dança iluminada por lâmpadas coloridas encadeadas em um fio, uma vitrola tocava tango e casais de todas as idades, tribos, jeitos e trejeitos dançavam livremente.
Ir a San Telmo é vivenciar a cidade no que ela tem de mais tradicional, por um lado, e mais irreverente, por outro.  Além de curtir as ruas, vale a pena visitar o Museu de Arte Moderna e as várias galerias de arte que o bairro abriga. 

domingo, 15 de maio de 2011

O micro-centro histórico


Durante dois dias da viagem, me entreguei ao espaço com maior fluxo de pessoas na cidade de Buenos Aires: o micro-centro, que tem como coração a Plaza de Mayo. Um adjetivo que resume e carrega em si o espírito do centro é histórico. Os prédios ao redor da praça, incluindo a catedral, o Banco de La Nación Argentina, a Casa Rosada e a prefeitura da cidade transpiram história, guardam traços marcantes da independência Argentina e também dos anos da intensa ditadura militar.

 Banco de La Nación Argentina

Casa Rosada

Hoje, a praça é repleta de estudantes, turistas e executivos, em um desfile que inclui ternos, celulares, máquinas fotográficas e muitos idiomas. Depois da praça vale a pena entrar pelas ruas laterais e conhecer prédios que assim como os acima citados são relíquias da história. Um bom começo é seguir pela Avenida de Mayo.
Assim, como outras largas avenidas de Buenos Aires a Avenida de Mayo é bem arborizada e muito bela. Repleta de cafés, lojas de tango – especializadas em tudo que envolva o ritmo, desde CDs até vestimentas e sapatos apropriados, além de outras lojinhas curiosas!
Como todo lugar em Bs As alguns endereços se destacam e são ponto de parada certa para um turista. Logo na esquina com a Calle Bolívia tem a Casa de Cultura, um prédio conservado e com mais de 250 anos de história. Eu bobeei e não pude visitá-lo porque fui em uma segunda-feira. A casa é aberta à visitação apenas nos fins de semana.  Em seguida, tem a Confíteria London City, que já é tradicional na cidade. Possui uma carta de bebidas e comidas variadas, que possibilitam refeições completas a qualquer hora do dia. Tudo isso repleto de muito charme e delicadeza. A decoração do lugar é um mimo, assim como os souvenirs que podem ser levados pelos clientes.  A ConfÍteria ganhou destaque e tornou-se ponto turístico pelo fato de Júlio Córtazar citá-la no romance Los premios, que foi todo redigido durante uma tarde em uma mesa da London City.

No entanto, nenhum lugar supera o histórico e turístico Café Tortoni. É simplesmente o café mais antigo da cidade e funciona desde o ano de 1858 quando foi inaugurado. Uma mistura de luxo, tradição e antiquários compõem a decoração do salão principal, que durante as noites divide a atenção com outros dois salões: o de tango – cheio de fotos de Gardel e seus companheiros – e o de sinuca. Em um canto do salão principal, três figuras de cera representam os mais ilustres freqüentadores do Tortoni: Carlos Gardel, Alfonsina Storni e Jorge Luis Borges.





Os abajures e lustres antigos que enfeitam o salão estão em perfeito casamento com o veludo vermelho das cadeiras. Algumas vitrines exibem curiosidades como uma coleção de xícaras de cafeterias famosas de todo o mundo, que tem exemplares de países como a Rússia e a Turquia. Em resumo, tudo no Tortoni é puro charme do início ao fim.
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Seguindo pela Avenida, mais adiante na Plaza Del Congreso uma réplica original d’ O Pensador de Rodam divide o cenário com os charmosos cafés e restaurantes que se localizam no entorno da praça. E, um pouco mais adiante, de frente para a praça o majestoso Congreso Nacional. Uma vista de puro deslumbre. Fiquei sem palavras, só observando. 

Voltando algumas quadras na Avenida de Mayo, cheguei à Avenida 9 de Julho 9 – a mais larga do mundo. Seguindo para a direita ( na 9 de Julho) é possível avistar no cruzamento seguinte, com a Av. Corrientes, o famoso e imponente Obelisco.  Ainda na mesma direção, mais algumas quadras à direita e me deparei com mais uma magnífica construção: o luxuoso Teatro Cólon. A visita guiada fica em $ 60 (sessenta pesos) por pessoa.




Único em toda a América, o teatro segue o modelo dos grandes pares Europeus ícones do século XVIII e XIX, momento do apogeu das grandes óperas e, não é de se espantar, que assim seja. O teatro foi fabricado com o que de mais sofisticado havia para a época, mármores raros, madeiras importadas, vitrais franceses. Tanto que teve sua construção interrompida por breves períodos, o que resultou em quatro arquitetos responsáveis e uma mistura de estilos do clássico ao moderno.  O mais impressionante, no entanto, é a acústica do teatro, que é considerado um dos cinco melhores do mundo. Parece um outro mundo! É impossível descrever toda a magia que atravessa a atmosfera do Cólon.
Depois da visita ao tetro vale seguir uma quadra para dentro na Calle Cerrito (uma das lateirais do teatro e conhecer o Palacio de Tribunales e a simpática praçinha em frente dele.
No próximo post, sigo a viagem pelo centro, dessa vez nas Galerias Pacífico – um shopping e uma arte – e na perturbadora Calle Florida.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Domingo é dia de parque

Estive repensando as postagens diárias sobre a semana que fiquei em Buenos Aires. Afinal, elas chegam com atraso. Quase um mês que eu voltei de lá e não consegui me organizar o suficiente para completar os posts. Mas, quase todo que minimamente lê o meu blog sabe que tenho graves problemas de freqüência. Desculpas dadas, sigo em frente com os registros da viagem.
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Domingo é dia de parque! Ou de praça e jardins. O domingo que passei na capital Argentina foi repleto de flores e ar livre. Exceção feita ao primeiro dos passeio: um museu, só para manter o tour cultural.
No sábado, estava muito próxima do MALBA – Museu de arte Latino Americana , só que a caminhada até a Recoleta me cansou de tal maneira, que tive que adiar o passeio. Pois bem, domingo o Malba abria meio dia. Fui de ônibus até a Plaza Francia e de lá segui pela Av. Figueiroa Alcorta até o MALBA. Na Avenida, belas casas abrigam as embaixadas de países como a Coréia, o Peru, a Líbia, a Irlanda, a Albânia, entre outros. As casas são quase sempre edificações admiráveis.
A visita no museu não é muito extensa. Há um acervo permanente com predominância de artistas latino-americanos modernistas e pós-modernistas. Grandes nomes como Diego Riviera, Cândido Portinari, Tarsila do Amaral, entre outros. São obras verdadeiramente belas e de muitas cores e formas variadas incluindo desde pinturas a esculturas e “arte interativa”. O grande desapontamento dos turistas, durante os meses de abril e maio, é descobrir que o famoso Abapuru não estará disponível nesse período. O quadro encontra-se no Brasil, mais especificamente no Itamaraty a pedido da presidente Dilma Roussef, conforme informa um cartaz na entrada. Mesmo sem a obra máxima de Tarsila o museu merece a visita.  Além do acervo permanente mais duas salas amplas abrigam exposições temporárias e toda a galeria do MALBA é composto por obras de artistas argentinos contemporâneos.
Saindo do MALBA e com muita fome, resolvi atravessar a praça Peru e ir conhecer o Paseo Alcorta Shopping. Em comparação com o Patio Bullrich esse é bem menos luxuoso, mas ainda assim é um ambiente mais sofisticado do que a maioria dos shoppings do Brasil. Almocei por lá e, tão logo  terminei,  segui adiante até o Jardim Japonês.









O jardim é maravilhoso. Além de bem cuidado, transmite uma paz e uma sensação de bem estar incríveis. Um pedacinho de cultura japonesa na Argentina.  De lá segui pela Av. del Libertador e passeei pelo parque 3 de febrero, além das plazas Alemania, Instituto Seeber e Italia. Os argentinos são freqüentadores assíduos desses ambientes a céu aberto. Famílias inteiras tomavam banhos de sol em cadeiras de praia, em outro espaço muitos jovens praticavam esportes, em outra área, música e malabarismos. O importante é ter uma tribo e aproveitar o domingo de sol. Depois de uma breve caminhada, cheguei ao Jardim botânico.
Assim como o jardim japonês é um lugar muito bonito e cheio de paz. No entanto, é preciso gostar verdadeiramente de natureza para visitar o lugar. Há muita umidade, gatos e uma extensa flora. Em harmonia com as belezas naturais, esculturas clássicas são encontradas por toda a extensão do jardim. Tive a sensação de ser parte do elenco do filme “O Jardim Secreto’’.  



Saindo do jardim segui pela Avenida Santa Fé até o Alto Palermo Shopping. No caminho encontrei uma deliciosa confeitaria e me deliciei com os alfajores de maicena (maisena) que, sem sombra de dúvida, são os melhores do mundo!
Sobre o shopping não há nada a acrescentar, mas, infelizmente descobri uma loja em liquidação.  Enfim, melhor deixar para lá!