Hoje é uma palavra complicada. Diz muito e quase nada. Hoje passa rápido, voa ou corre, pelo ar ou pela terra, não importa: logo se vai. Hoje é um advérbio de tempo. Tempo, hoje em dia, dura pouco. Hoje não dá para mudar o mundo. Hoje não dá para escrever um livro. Hoje não dá para fazer um filme. Hoje não dá para ter um filho, nem para construir um prédio.
Mas, a culpa não é do hoje. A culpa é do homem. Hoje dá tempo de olhar para o céu. Hoje dá para sentir o vento mais frio e ruidoso que anuncia o inverno. Hoje tem nascer e pôr-do-sol. Hoje muitas pessoas vão sorrir ao te ver passar destraído pelas ruas. O Hoje é em potencial melhor que o ontem e o amanhã. É o momento exato da transformação.
Basta um minuto. Respirar e sentir os cheiros. Olhar de forma mais atenta os passos alheios, a cidade que ao entardecer acende as luzes. Saborear uma refeição, pelo menos uma. Sentir sua mão em parceria com outra. Seja um amigo, um companheiro, um parente. Um minuto é o tempo para um abraço.
A vontade pela simplicidade. Todos os dias uma profusão de acontecimentos cotidianos atravessam nossas vidas. Porque não olhar para eles? Uma ação, assim, fácil muda o dia inteiro e nos completa por um dia. Se a cada dia pudéssemos nos contentar com uma pequena gota de felicidade... Viver intensamente, sem exageros, sem grandes expectativas. Assim o riso fica mais solto e o pé fica mais próximo do chão, vivendo a rotina sem peso.
10 meses atrás
1 comentários:
hoje dá pra recomeçar.
não da pra escrever um livro. mas se a primeira pagina não for escrita hoje, a segunda não será amanhã
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