segunda-feira, 11 de outubro de 2010

De olhos bem fechados





Eu posso tudo que eu quiser
É só querer acreditar
Se eu fechar bem forte os olhos e quiser sonhar

(trecho da música Sonho Meu)






Toca o despertador. E eu levanto. (Ponto, sem exclamação). Nada mais como no sonho, a imagem nítida de um sonho se desfaz em ar rarefeito, realidade difícil de respirar. A vida tem dessas coisas. De balançar feito gangorra pra cima e para baixo. O pico é sempre o escape quando o simples gangorrar perde a graça.

Sem mais pensamentos, me despeço da manhã em nascimento. Abandono o doce gosto da calma. Sigo em frente. Logo eu, que sempre fui de olhar para céu, de sentir os aromas do ar. Tudo isso ainda tem seu lugar . Só que agora bate uma falta. Uma falta com nome, idade e, no momento, com um endereço fixo diferente daquele que tão bem conheço. Um caminho que podia fazer de olhos fechados...

Sempre preferi rosas a margaridas, cores ao preto básico, doce a salgado, intensidade de sentimentos ao invés de equilíbrio emocional. Naquela discussão básica sobre o que é melhor comer ou dormir, a resposta mais certa era comer. Uma explosão de sabores. É assim que vivo. 

Pela manhã tomo café pensando no que vou almoçar, cozinho pensando em que ingredientes misturar, mudar sabores, criar cores e adaptar receitas tem feito parte do meu cotidiano. Cada refeição é um deleite! (Com exclamação e sem controvérsias até um mês atrás).

(Pausa para respirar) Acontece de certas coisas mudarem. Hoje, acordei querendo quedarme na cama. (Quedarme = ficar na cama) É difícil mas devo admitir que dormir tem me feito mais feliz que qualquer outra ação. Engana-se quem acredita que seja esse um comportamento depressivo, com falta de implicância na vida. Dormir é uma benção para quem tem memória a ser vivida. 

Em dormir, pouco descanso.
Mais quero é mergulhar em mares percorridos
Em sonhar, me falta o estranho.
Ando por ruas conhecidas de placas marcadas,
São caminhos, velhos amigos que visito.

Em dormir, posso olhar-te nos olhos.
Desvendar teu riso solto em conversas sem fim.
Em sonhar, sinto que me estende a mão
Ouço o ritmo em que respira, junto a mim. 
São momentos de surrealismo concreto, 
Paisagens, músicas e sabores que bem sei: existem. 

A vida revira as voltas do costume. Hoje, sei que fechar os olhos pode ser o melhor momento de um dia. O que está dentro parece mais sólido e verdadeiro do que tudo que, de fora, posso tocar. (Exclamação para que chegue o fim do dia. Quantas histórias a revisitar...)






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