Digo o que digo por experiência própria. Sem qualquer força pessimista ou de maldade. É um reflexão que resignei a vida toda. Quase sempre fui romântica com mundo. Faz algumas semanas que entendi que o ser humano é ser solitário. Que não vivemos em relações de comunitarismo e precisamos viver à sós e suportar isso. Há anos, venho tentando entender algo. Há algumas semanas esse algo foi nomeado. O que eu sempre considerei egoísmo e um problema nas pessoas é, na verdade, natural. Era preciso mudar meu ponto de vista.
E por que me expor dessa maneira? Simplesmente, para outros, que sei parecidos comigo, possam ter despertada essa semente. A sensação não foi das melhores. No entanto, muitas coisas agora parecem mais simples e menos definitivas para mim. A alegria da conquista vem aos poucos.
Reminiscências
Há cerca de seis anos conheci brevemente um moço. Ele tinha os olhos muito azuis. Confesso não lembrar-me de sua feição. Nós conversamos por quase uma hora. Na verdade foi praticamente um monólogo meu. Ele falou poucas palavras. Entretanto, foram as palavras mais vivas a respeito de mim mesma que ouvi. Ele conseguiu me ver na essência. Eu senti uma compreensão que jamais sentira em olhares alheios.
Eu falei para ele o que eu achava do mundo e porque tinha dificuldades para dormir. Ele supostamente me ajudaria. Mas, certamente não aguardava por uma pessoa como eu. Falei sobre a lua. Sobre a pobreza de muitas pessoas e a culpa que me tomava de ter mais que outros. Sobre a vontade de agir e me sentir impotente. Diante de muitas coisas falei do sentimento. Sinto sempre muito.
Só me lembro que os olhos desse homem traiam o que sua boca dizia. No fundo ele me entendia tão bem, mas na prática sabia o que precisava me dizer.
Recentemente refletindo sobre a vida, a sociedade e as relações com o outro, entendo. Sei exatamente porque aquele homem, mais vivido que eu, me dissera o que dissera naquele dia. Faço o mesmo nesse instante. Escolho as palavras dele e não o olhar. É preciso escolher se se quer viver ou pensar a respeito, imaginar, revolucionar.
Novamente, sem pessimismos, sem ressentimentos. Assim se é mais leve. Assim a beleza é mais espontânea. O sentimento é mais sincero. O resto se resolve na literatura que é sempre sonho.
7 meses atrás
2 comentários:
É com o outro que descobrimos como nos bastar à sós...
Ouvir 'e a melhor arte que cabe ao ser humano!
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