terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Cores


Um calor de derreter gente. Uma chuva que só faz barulho. O verão parece aquele amigo grudento: por mais que seja amigo, em certas ocasiões, só incomoda. E tudo por causa do excesso de calor. Não adianta reclamar, o que só nos faz tão inconvenientes quanto a sensação térmica de 38 graus Celsius.
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Pausa. Melhor concentrar a atenção em outra atividade.

Dezembro! Um alívio no meio do aperto do ano que corre para acabar. É um mês que permite mais leituras. Final de período escolar, época de muito trabalho, de cansaço remoído do resto do ano. Tudo isso favorece a leitura.
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Justamente. Foi num livro de uma doce e simpática Lygia Fagundes Teles que encontrei a chave para a reconciliação com o verão, meu amigo chato. A escritora diz em um depoimento sobre outro grande escritor brasileiro, Jorge Amado:  “Amava as cores vivas, com motivos na natureza, as camisas eram alegres.” Bastou essa frase.  E da janela do ônibus no centro da cidade deu-se a explosão: cores vivas!  Um alívio.

O verão é quem mostra as cores vivas. Um sol escaldante no teto do céu, perpendicular ao solo.  A água fica mais transparente, o verde mais verde. Há vida nos tons que passeiam pela estação. Um brilho que arranca admiração, que traduz beleza. Talvez nessas cores algo da leveza possa ser recuperado. O que o calor parece tirar, a cor parece poder reconstituir.



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