segunda-feira, 25 de abril de 2011

O primeiro dia


Como já havia dito no post anterior o principal motivo para ir a Buenos Aires em pleno mês de abril era o BAFICI – Buenos Aires Festival de Cine Independente. Em termos de amplitude, público e estrutura para exibições, o festival é o maior festival da América Latina. O BAFICI conta com salas de exibição espalhadas por 9 localidades na cidade, sendo que o Hoyts Abasto é um complexo de 12 salas de cinema que fica dentro de um shopping e, por 11 dias oferece programação exclusiva do festival. É quase inacreditável. Além das exibições, o Hoyts Abasto possui um núcleo de apoio, onde acontecem palestras e debates ao longo dos dias do evento.


Como optei por assistir a três sessões na sexta não pude “turistar” muito. Então, resolvi conhecer o que parecia ficar mais perto do shopping. Assim que terminou a segunda sessão, meu intervalo até a terceira era de 5 horas. Abri o mapa e percebi que estava muito perto da casa onde viveu Carlos Gardel, e onde atualmente funciona um museu. Então, fui visitar. A casa está bem cuidada e bonita. O acervo é composto por recortes de jornais, fotografias, discos originais, instrumentos e mobílias de Gardel. Além de contar a vida e carreira do “rei” do tango, o museu reserva espaço para alguns de seus importantes companheiros de sucesso.

No entanto, confesso que não conheço muito sobre Gardel e, por isso, não achei tão bacana e até meio cansativo. É uma paixão argentina que não consegui acessar completamente. Só na parte dedicada à morte dele, percebi o quanto ele foi um grande ídolo do país e sua cultura.



O bairro em que estava era o Abasto, que fora o museu não tem nada turístico para se apreciar durante o dia. Sendo assim, resolvi ir até a Av. Santa Fé. Se, posso deixar uma dica, é essa: a Avenida vale uma caminhada só de observação e sem pressa! É bem arborizada, cheia de cafés, lanchonetes e lojas. Uma mistura de movimento e folhas que torna tudo mais bonito, um verdadeiro charme. Nesse dia andei apenas na parte que fica no bairro da Recoleta, meu objetivo final era a livraria El Ateneo.

A livraria é um show à parte. Por ser situada em um antigo teatro conservado e restaurado é uma construção maravilhosa, além de um ambiente para lá de charmoso. O café fica no palco bem centralizado e ainda com as cortinas presentes. É preciso entrar lá. Caminhar nos tapetes de veludo. Reparar com cuidado nos camarins, agora, transformados em salas de leitura. São tantos detalhes que dá para se sentir na época do apogeu do teatro, da ópera. É uma visita inesquecível.

Só mais uma dica: cuidado com as bolsas! A livraria está sempre cheia de turistas e alguns oportunistas aparecem no momento em que resolvemos procurar algum livro, ou estamos boquiabertos com a beleza do interior do prédio. Avisos na parede de toda a livraria chamam a atenção para esse cuidado, infelizmente, necessário.

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